O QUE É A TAXA SELIC E PARA QUE ELA SERVE?

novembro 11, 2020

A taxa Selic é muito importante no funcionamento do mercado, merecendo dessa forma um grande destaque, sendo estudada e compreendida detalhadamente pelos empresários, principalmente os interessados em empréstimos e financiamentos.

Mas afinal, o que é taxa Selic?

Ela é considerada a taxa básica de juros da economia brasileira e os seus movimentos influenciam todas as taxas de juros praticadas no país, tanto as que um investidor recebe ao realizar uma aplicação financeira, como também e, principalmente, as que uma instituição financeira cobra ao conceder determinado empréstimo.

A taxa tem esse nome por conta do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, que é basicamente um sistema administrado pelo Banco Central em que são negociados títulos públicos federais. A taxa média registrada nas operações feitas diariamente nesse sistema equivale à taxa Selic, sendo que essas operações são empréstimos de curtíssimo prazo realizados entre as instituições financeiras, as quais possuem títulos públicos federais dados como garantia.

A taxa média desses negócios, apurada todos os dias, é chamada de Selic Efetiva, que é o percentual de juros que efetivamente está sendo praticado nesse mercado. Mas existe ainda a Selic Meta, que é provavelmente a que você costuma ouvir falar com mais frequência no seu dia a dia.

Para que ela serve e como impacta a economia brasileira?

A Selic é um dos elementos centrais da estratégia de política monetária no Brasil, que está baseada em um sistema de metas de inflação, o qual estabelece o compromisso do país em adotar medidas para manter a inflação dentro de uma faixa fixada periodicamente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros e o presidente do Banco Central.

O objetivo é assegurar a estabilidade da economia e evitar descontroles de preço que causam a perda do poder de compra da moeda. Em 2020, a meta é de 4% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Significa que a meta é considerada cumprida se a inflação acumulada no ano ficar na faixa de 2,5% a 5,5%.

O que o governo faz para tentar manter a inflação nesse patamar? A principal estratégia de política monetária é influenciar a quantidade de dinheiro que circula na economia. Não é difícil entender a lógica: quanto mais recursos estiverem disponíveis, maior a tendência de as pessoas consumirem. E quando elas aumentam a demanda por produtos e serviços, é natural que os preços subam. O contrário também é verdadeiro.

É aí que entra a Selic, pois ela é a principal ferramenta que o Banco Central para controlar o volume de recursos em circulação. Quando a economia está aquecida e os preços começam a subir a ponto de minar a meta de inflação, a Selic é elevada. Com juros mais altos, fica mais caro tomar, não só para os consumidores, como também para as empresas e o próprio governo. Isso desestimula o consumo e ajuda a controlar os preços.

A medida oposta é tomada em períodos em que a inflação está controlada ou abaixo da meta. Quando há espaço, a Selic diminui, o que estimula o consumo e ajuda a aquecer a economia. Assim, resumindo os principais efeitos da Selic no dia a dia dos brasileiros, temos:

 

  • Impacto no crédito: A taxa Selic é uma referência para o custo das linhas de crédito em geral. Quando ela é elevada, a tendência é de que empréstimos e financiamentos fiquem mais caros, ou seja, que bancos e outras instituições financeiras cobrem juros mais altos nessas operações. Já quando a Selic diminui, acontece o movimento contrário: os juros do crédito ficam mais baratos.

 

  • Impacto no consumo: Quando os empréstimos e financiamentos ficam mais caros, naturalmente o nível de consumo tende a diminuir, já que o custo dos produtos e serviços aumenta também. Por isso, a tendência é de que uma elevação da Selic cause uma redução das compras. Na situação oposta, o consumo tende aumentar.

 

  • Impacto nos investimentos: De modo geral, uma elevação da Selic beneficia os investimentos de renda fixa, que oferecem uma remuneração baseada em juros. É o caso dos títulos públicos do governo federal, dos tradicionais CDBs emitidos pelos bancos, das letras de crédito, das debêntures, entre outras opções.

Como é definida a Selic?

A taxa Selic “meta” é definida e anunciada pelo Comitê de Política Econômica (Copom), um órgão do Banco Central formado pelo seu presidente e por alguns diretores. Ela representa o alvo perseguido para a Selic “efetiva”. Isso significa que o BC pode usar suas ferramentas para conduzir a taxa efetiva o mais perto possível da taxa meta.

O Copom se reúne a cada 45 dias para decidir que Selic “meta” vai vigorar no próximo mês e meio. Em agosto de 2020, a taxa Selic passou para 2,00% ao ano, o menor nível já alcançado desde a criação do Sistema de Metas de Inflação. Ela está em queda contínua desde 2016.

Embora o público saiba de imediato qual foi a decisão do Copom sobre os rumos da Selic sempre que uma reunião acontece, o detalhamento das razões só é conhecido mais tarde. A ata do Copom é um importante canal de comunicação do Banco Central com a sociedade e a confiança que uma comunicação clara e constante gera na sociedade é importante para o funcionamento do sistema de metas de inflação.

Se um comerciante confia que a inflação e a Selic permanecerão no patamar estabelecido pelo governo, ele se sentirá mais confortável para tomar suas próprias decisões. Pode pegar um empréstimo para investir na melhoria do seu estabelecimento sem medo de que os juros aumentem no mês seguinte.

Também pode ficar tranquilo para comprar (ou não) estoques, porque consegue estimar o nível de demanda que terá dali para frente. O que importa para os agentes econômicos é não serem pegos de surpresa pela condução da política monetária.

Espero que mais este artigo tenha sido útil a você. Toda semana publicamos artigos relacionados as finanças de sua empresa. Fique à vontade para compartilhar ele com seus amigos.

Renan Luquini é economista, especialista em economia e finanças pela UENP e mestre em economia regional pela UEL. Professor da Kroton Educacional e da Pós-graduação em Economia Empresarial da UEL. Além disso, é consultor na área de economia e finanças.

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