Ponto de Equilíbrio

Ponto de Equilíbrio: Como identificar o volume mínimo de faturamento e não obter prejuízos

agosto 12, 2020

Embora o nome elaborado, esse índice não é nada difícil de ser calculado. O Ponto de Equilíbrio fornece ao empresário o faturamento mínimo que será necessário obter para cobrir todos os gastos da empresa em um determinado período.

Neste artigo você verá como realizar este cálculo e, além disso, verá as diferenças entre os pontos de equilíbrio contábil, financeiro e econômico. Vamos lá?

No ponto de equilíbrio, o lucro da empresa será zero, ou seja, neste ponto os produtos vendidos e/ou serviços prestados pela empresa pagam todos os custos e despesas fixas e variáveis, porém ainda não sobrará nada para o empresário e seus sócios.

Dessa forma, é exatamente a partir deste ponto que os novos produtos da empresa, desde que estes possuam margem de contribuição positiva, irão começar a gerar lucro para o negócio. Embora fácil de se obter, este indicador é uma informação super importante para a análise de viabilidade da empresa ou mesmo da sua adequação em relação ao mercado.

Como falamos, são três as principais variações do ponto de equilíbrio e eles são razoavelmente próximos conceitualmente, porém com perspectivas diferentes na sua fórmula de cálculo. Vamos ver?


Ponto de equilíbrio contábil

É o mais comum a ser utilizado pelas empresas, sendo obtido pela divisão entre os custos e despesas fixas pela margem de contribuição, sendo obtido dessa forma o valor necessário para se igualar os gastos e permitindo que se obtenha o tão almejado lucro a partir deste ponto. A fórmula do ponto de equilíbrio contábil, que é a seguinte:

P.E. contábil = custos e despesas fixas/índice da margem de contribuição

Antes de obter o ponto de equilíbrio contábil, portanto, se deve calcular o valor total dos custos e despesas fixas mensais e também índice da margem de contribuição.

Exemplificando, pense que a sua empresa planeja vender 1.000 unidades de certo produto pelo valor unitário de R$ 50,00. Para produzir cada produto, o custo é de R$ 20,00 e as despesas variáveis são no valor de R$ 15,00. Por fim, há um gasto fixo (sendo custo + despesa fixa) no montante de R$ 6.000,00 por mês. Colocando na tabela, temos:

 

UNITÁRIOTOTAL
(+) Receita OperacionalR$ 50,00R$ 50.000,00
(-) Custos OperacionaisR$ 20,00R$ 20.000,00
(-) Despesas VariáveisR$ 15,00R$ 15.000,00
(-) Margem de ContribuiçãoR$ 15,00R$ 15.000,00
(=) Margem de Contribuição (%)30%30%
(-) Custos e Despesas FixasR$ 6.000,00
(=) Lucro brutoR$ 9.000,00
(=) Ponto de Equilíbrio (R$)R$ 20.000,00
(=) Ponto de Equilíbrio (unidades)R$ 400,00


Conseguimos, assim, verificar o índice da margem de contribuição (30%/100 para chegarmos a um valor decimal) e o total dos custos e despesas fixas (6.000). Agora é só aplicar na fórmula vista anteriormente:

E. contábil = R$ 6.000 / 0,30
E. contábil = R$ 66.666,66 (ou 1.333 unidades)

Ou seja, esse resultado significa que a empresa precisará vender 400 unidades do seu produto, com um faturamento de R$ 20.000,00, para dessa forma chegar ao seu ponto de equilíbrio e, consequentemente, pagar todos os seus custos e despesas. Dessa forma, a partir desse ponto, a venda de cada produto irá contribuir para o lucro da empresa.


Ponto de equilíbrio financeiro

Esse indicador é muito próximo ao ponto de equilíbrio contábil, sendo que a diferença básica se deve ao fato dele excluir da conta as depreciações e outras despesas que não precisam necessariamente desembolsar, porém que necessitam ser contabilizadas no Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE).

Esse indicador é um pouco parecido com a ideia do ebitda, que nada mais é do que o lucro antes dos juros, amortizações, depreciações e impostos. Ou seja, o que é importante no ponto de equilíbrio financeiro são somente os gastos necessários para tocar o negócio, como as despesas administradas e os custos operacionais. No ponto de equilíbrio financeiro, a fórmula é a seguinte:

P.E. financeiro = despesas e custos fixos – despesas não desembolsáveis/margem de contribuição

Vamos continuar usando os valores da tabela, porém agora com a inclusão da despesa não desembolsável (depreciações de ativos) no valor fixo de R$ 1.500,00. Assim, aplicando na fórmula, temos:

P.E. financeiro = R$ 6.000,00 – R$ 1.500 / 0,30
P.E. financeiro = R$ 15.000,00 (ou 300 unidades)


Ponto de equilíbrio econômico

Finalmente, chegamos ao ponto de equilíbrio econômico onde é necessário acrescentar o custo de oportunidade, onde é considerado o ganho que o empresário poderia ter obtido caso tivesse investido em outro negócio ou mesmo, por exemplo, em um fundo de investimento.

Ao optar por um caminho, você abre mão do outro, certo? Ou seja, o negócio escolhido precisa gerar um resultado igual ou superior aquele que o empresário ou investidor abdicou. É nesse momento que entra o ponto de equilíbrio econômico, que, além dos custos, considera o custo de oportunidade com o objetivo de indicar o quanto é necessário faturar para equilibrar esse fator e tornar a opção vantajosa.

Já para calcular o ponto de equilíbrio econômico, como dissemos, é necessário acrescentar o valor do custo de oportunidade. Sendo assim, pense que um empresário ao montar um negócio poderia ganhar R$ 10.000 por mês caso aplicasse seu dinheiro em algum outro investimento. Aplicando os valores à seguinte fórmula, temos:

P.E. econômico = custos e despesas fixas + custo de oportunidade/margem de contribuição
P.E. econômico = R$ 6.000,00 + R$ 10.000,00 / 0,30
P.E. econômico = R$ 53.333,33 (ou 1.066 unidades)


O Ponto de equilíbrio e a OMTM

Uma One Metric Mathers (OMTM) representa nada mais nada menos a meta na qual uma empresa deve focar para alcançar seus resultados. Não é nada fácil, por exemplo, aumentar as receitas e diminuir os custos da empresa, uma vez que não há como aumentar tudo isso sem investir em marketing e no desenvolvimento de novos produtos, por exemplo.

Sendo assim, atingir o ponto de equilíbrio pode vir a ser atingir a OMTM da empresa, em um primeiro momento, uma vez que esse é o momento onde ela atinge o zero a zero da empresa e evita os seus prejuízos, podendo assim partir desse ponto para buscar o tão desejado lucro.

Além disso, a busca pelo lucro pode ser justamente a segunda meta a ser alcançada na empresa, ou seja, depois do foco ser deixar as contas iguais, devemos pensar agora em aumentar o lucro do negócio. Todavia, embora essa possa ser uma estratégia bem eficiente de conquistar os objetivos do negócio, a empresa deve saber fazer esse processo, para não correr o risco de apenas criar um ambiente de cobranças.

Por fim, quanto falamos na junção do ponto de equilíbrio e da OMTM, não se pode deixar de mencionar sobre o orçamento empresarial, pois nele se consolidarão os cálculos que realizamos até aqui e também as projeções das receitas e gastos do negócio, as quais estão intimamente ligadas as metas da empresa.


Conclusão

Vimos que o ponto de equilíbrio mostra quanto a empresa tem de vender, em unidades, para ser um negócio lucrativo. Sendo assim, a conclusão mais óbvia de se chegar é que quanto mais a empresa vender maior será o seu lucro. 

Embora isso seja verdade, é importante lembrar que a partir de determinados volumes de vendas, são acionados certos gatilhos que mostram o que pode ser feito com a estrutura de gastos existente.

É preciso, portanto, avaliar a capacidade máxima produtiva da empresa, uma vez que, em determinados casos, fazer investimentos é necessário para que se haja um aumento das vendas, com ampliar a estrutura ou mesmo contratar mão de obra, o que pode acabar elevando os custos e despesas fixas.

Ou seja, é importante conhecer o ponto máximo de otimização possível com a estrutura atual e cada vez que houver uma necessidade de ampliação dos gastos fixos, deve se recalcular o ponto de equilíbrio econômico.

Espero que este artigo tenha sido útil a você. Toda semana publicamos aqui artigos relacionados a planejamento financeiro, orçamento e acompanhamento econômico-financeiro. Fique à vontade para compartilhar este post com seus amigos.

 

Renan Luquini é economista, especialista em economia e finanças pela UENP e mestre em economia regional pela UEL. Professor de macroeconomia da Kroton Educacional e também professor da pós graduação em Economia Empresarial da UEL. Além disso, é consultor na área de economia e finanças e colunista do portal F5 Dinheiro.

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