Elasticidade: o que é e quais seus efeitos na empresa

setembro 23, 2020

Ouvir os seus clientes e entender o conceito de elasticidade econômica é mais importante do que você imagina na hora de tomar decisões referente ao preço do seu produto. Somente conhecer as leis da oferta e demanda, pode restringir seu entendimento quanto ao funcionamento do mercado.

Conhecendo a elasticidade do produto que você vende, mais do que você saber o que ocorrerá com a demanda dele em situações ruins, você saberá se suas vendas serão muito ou pouco afetadas.

Ou seja, cabe a ela a possibilidade de não só avaliar, mas também de medir a reação de compradores e vendedores em resposta às mudanças de preço, entre outras variáveis

São três tipos de elasticidade mais comuns e que te ajudarão a entender o comportamento do consumidor. São eles:

1) Elasticidade-preço da demanda

Essa elasticidade é responsável por medir a reação que os consumidores irão ter frente a uma mudança no preço de um determinado produto (ou bem, falando o economês). Esses bens podem ser classificados como:

Elásticos: aqueles produtos que são muito sensíveis as alterações de preço, geralmente não muito essenciais (bens supérfluos).

Inelásticos: aqueles que o consumidor não é muito sensível quanto a quantidade que ele irá comprar em caso de uma mudança em seu preço. Geralmente um bem essencial e com poucos substitutos.

Como exemplo, imagine que um consumidor gasta mensalmente a mesma quantia (R$ 100,00) com leite e com palmito. Se ocorrer um aumento de 10% no preço de ambos, a queda no consumo deles será igual? Certamente que não!

Isso pode ocorrer por alguns motivos, vamos ver quais:

Disponibilidade de substitutos: Quando um produto tem poucos substitutos, como o sal de cozinha por exemplo, as pessoas não compram muito menos caso o preço se altere, afinal, eles não têm como substituí-lo facilmente. Já quando esse produto tem muitos substitutos, fica fácil para os consumidores trocarem para o concorrente quando o preço do seu produto sobe, por exemplo.

Essencialidade do bem (se eles são essenciais ou supérfluos): quanto mais essencial aquele bem, menos sensível será sua demanda caso o preço do produto se altere. Tomando outros exemplos, o leite é visto como um bem essencial pela maioria da população, sendo que o consumidor pode até reclamar do preço no mercado, mas dificilmente irá diminuir muito o consumo do produto em caso de alta no seu preço, diferentemente de uma cerveja artesanal, que o consumidor com certeza pensará duas vezes se comprará ou não.

Participação no orçamento: quanto maior a fatia da renda gasta em determinado produto, mais sensível (elástico) ele é caso o preço se modifique. O exemplo contrário também é verdadeiro: produtos como balas, chicletes, etc. são inelásticos, pois mesmo que o preço deles mude bastante, o efeito sobre a decisão do consumidor em comprar menos desses itens será baixo, já que o peso dessa compra no orçamento do consumidor continua sendo muito pequeno.

2) Elasticidade-preço da demanda cruzada

Essa é responsável por medir a variação percentual na quantidade demandada por um bem dado uma variação percentual no preço de outro produto. De acordo com o resultado, os bens podem ser classificados como:

Bens substitutos: o aumento do preço de um produto gera um aumento da demanda de seu concorrente. Por exemplo, caso o consumidor seja indiferente em consumir manteiga ou margarina, ele consumirá o bem que possuir menor preço.

Complementares: Pense que ocorreu um aumento nas vendas de café solúvel. Faz sentido esperar que isso faça com que ocorra, por serem bens complementares, um maior consumo de açúcar, não é mesmo?

3) Elasticidade-renda da demanda

Já a elasticidade-renda da demanda irá medir a mudança da quantidade que o consumidor irá comprar caso a sua renda seja alterada. Dessa forma, temos dois tipos de bens:

 Bem normal: quando a demanda por um produto aumenta à medida que a sua renda seja maior. Dessa forma, o crescimento da renda de trabalhadores provoca aumento na compra de roupas, por exemplo.

 Bem inferior: nesse caso, a demanda do bem irá se reduzir à medida que haja um aumento na renda do consumidor. Um exemplo que pode ser destacado é a diminuição do uso de transportes públicos por esse mesmo trabalhador quando tem sua renda aumentada.

4) Por que isso é tão importante mesmo?

Um empresário que pensa em seu negócio para sempre tomar as melhores decisões, deve com certeza estar atento aos tipos de elasticidade, pois dessa forma ele poderá tornar seu negócio muito mais rentável ao levar em consideração a forma com que uma modificação no preço de seu produto ou serviço irá alterar a sua demanda

Além disso, será possível verificar como essa alteração de preço afeta a demanda de bens relacionados a ele (os bens complementares, como falamos). Por fim, poderá ser visto também como que a mudança na renda do seu público-alvo irá se refletir no consumo dos produtos ou serviços da sua empresa.

Dessa, forma, irão possibilitar uma melhor precificação dos seus produtos/serviços, um pensamento mais estratégico da sua empresa e, além disso, um estudo do seu mercado de forma mais fundamentada a partir do entendimento do comportamento do consumidor.

Espero que mais este artigo tenha sido útil a você. Toda semana estão publicamos artigos relacionados as finanças de sua empresa. Fique à vontade para compartilhar ele com seus amigos.

Renan Luquini é economista, especialista em economia e finanças pela UENP e mestre em economia regional pela UEL. Professor de macroeconomia da Kroton Educacional e professor da pós graduação em Economia Empresarial da UEL. Além disso, é consultor na área de economia e finanças.

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