EXISTE UM CAPITAL DE GIRO IDEAL PARA MINHA EMPRESA?

novembro 25, 2020

Caso você tenha lido nosso artigo anterior falando sobre como calcular o capital de giro da sua empresa, pode ser que esteja se perguntando agora se existe um capital de digo ideal e, se sim, qual seria? Como vimos, o capital de giro é essencial para fazer seu negócio operar dentro de margens positivas. Vamos entender melhor neste artigo como analisá-lo.

1) Qual seria esse capital de giro ideal?

Seus credores e parceiros vão analisar o capital de giro para ter uma noção da saúde financeira do seu negócio. Se uma empresa tem um capital de giro líquido negativo ou um índice de capital de giro abaixo de 1,0, o negócio ou tem grandes problemas de liquidez ​​ou não é produzido de forma suficiente para fazer frente com a quantidade de dívida assumida. Seja como for, isso seria um grande sinal de alerta. Relembrando, a fórmula básica para calcular o capital de giro líquido é:

Capital de Giro Líquido = Ativo Circulante – Passivo Circulante.

Um capital de giro líquido positivo e uma taxa de capital de giro entre 1,2 e 2,0, provavelmente representa um negócio saudável que tem ativos de curto prazo ou atuais suficientes para cobrir totalmente sua dívida imediata. Todavia, um índice de capital de giro superior a 2,0 pode ser problemático.

Mesmo que isso não seja algo tão sério quanto uma empresa com capital de giro líquido negativo ou abaixo de 1,0, pode significar que a empresa não está operando em um nível de eficiência adequado. Para uma empresa com muitos ativos atuais, isso pode ser uma indicação de um negócio inchado.

2) Análise dos níveis de capital de giro

Uma empresa com capital de giro negativo (passivos maiores que ativos) é geralmente vista como estando em risco financeiro para aumento da dívida (o que pode levar à falência). Sendo assim, a empresa poderá ter dificuldade em pagar suas dívidas de curto prazo.

Nesse cenário, uma empresa pode recorrer a opções tradicionais de financiamento para reforçar seu capital de giro, como empréstimos, linhas de crédito ou adiantamentos em dinheiro. Além disso, uma empresa também pode levantar capital por meio da venda de ações, venda de faturas (fatoração de faturas) ou organização de adiantamentos de estoque (crédito comercial).

Enquanto o capital de giro negativo é geralmente visto como algo ruim, há cenários em que as empresas operam em modelos de negócios que valorizam estrategicamente o capital de giro negativo. Quando uma empresa terceiriza seus ativos para fornecedores, ela basicamente transfere seu estoque de seus livros para os livros de seus fornecedores. Nessa situação, os ativos da empresa seriam menores do que o normal e levariam a um capital de giro negativo, apesar de funcionar com eficiência.

Uma empresa com capital de giro positivo (mais ativos do que passivos) é vista como tendo boa saúde financeira de curto prazo. Porém, mesmo com uma quantidade significativa de capital de giro positivo, uma empresa pode experimentar uma escassez de caixa se seus ativos atuais não puderem ser liquidados rapidamente.

O tempo que leva para transformar ativo circulante e passivo circulante em dinheiro é chamado de ciclo de conversão de caixa (CCC). Quanto mais curto for o ciclo de conversão de caixa, mais ideal será o capital de giro de uma empresa. Quanto mais longo for o ciclo de conversão, mais tempo o capital de uma empresa fica amarrado sem gerar retornos.

Como tal, as empresas se esforçam para reduzir seu ciclo de conversão de caixa, arrecadando seus recebíveis mais rapidamente e adiando suas contas a pagar por mais tempo. As empresas também devem monitorar seu índice de capital de giro e garantir que estejam investindo ativos excedentes sempre que possível.

3) O capital de giro e a liquidez da empresa

A liquidez é muito importante para qualquer empresa. Se uma empresa não pode cumprir suas obrigações financeiras, então está em sério risco de falência, não importa quão otimistas sejam as suas perspectivas de crescimento futuro. No entanto, o índice de capital de giro não é uma indicação verdadeiramente precisa da posição de liquidez de uma empresa.

Isso porque ele não reflete o financiamento adicional acessível que uma empresa pode ter disponível, como linhas de crédito não utilizadas existentes. Tradicionalmente, as empresas não acessam as linhas de crédito para obter mais dinheiro disponível do que o necessário, pois isso implicaria custos de juros desnecessários. No entanto, operar com tal base pode fazer com que o índice de capital de giro pareça anormalmente baixo.

Apesar disso, as comparações dos níveis de capital de giro ao longo do tempo podem, pelo menos, servir como uma possível indicação antecipada de que uma empresa pode ter problemas em termos de cobrança oportuna de recebíveis que, se não resolvidos, podem levar a uma crise de liquidez futura.

4) Ciclo de conversão de caixa

Uma medida alternativa que pode fornecer uma indicação mais sólida da solvência financeira de uma empresa é o ciclo de conversão de caixa (CCC), o qual fornece informações importantes sobre a rapidez com que, em média, uma empresa vira o estoque e converte-o em recebíveis pagos. Porém, isso não descarta o índice de capital de giro como uma importante medida básica do atual relacionamento entre ativos e passivos.

Como as baixas taxas de rotatividade de estoques ou baixas taxas de recebimento de recebíveis são muitas vezes o cerne do fluxo de caixa ou problemas de liquidez, o ciclo de conversão de caixa pode fornecer uma indicação mais precisa de possíveis problemas de liquidez do que o índice de capital de giro. O ciclo de conversão de caixa é calculado da seguinte forma:

CCC = DVE + DVP – DPO

Onde:

  • DVE = Dias de vendas de estoque – número de dias necessários para vender um estoque inteiro;
  • DVP = dias de vendas pendentes – número de dias necessários para cobrar vendas ou contas a receber;
  • DPO = dias a pagar pendentes – pagamento da empresa de suas próprias contas.

Sabendo seu capital de giro atual e quanto tempo seu estoque leva para se converter em caixa para empresa é possível ter um bom panorama do que sua empresa precisa para funcionar.

Assim, se você precisar recorrer a terceiros para garantir suas operações, poderá fazê-lo com segurança. Se esse for o caso, conheça as linhas da Garantinorte e escolha a melhor opção para o seu negócio.

Espero que mais este artigo tenha sido útil a você. Toda semana publicamos artigos relacionados as finanças de sua empresa. Fique à vontade para compartilhar ele com seus amigos.

Renan Luquini é economista, especialista em economia e finanças pela UENP e mestre em economia regional pela UEL. Professor de economia da Kroton Educacional e da Pós-graduação em Economia Empresarial da UEL. Além disso, é consultor de economia e finanças na RHL Consultoria.

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