A importância dos controles financeiros em meio a crise

julho 15, 2020

Com o isolamento social causado pela pandemia do Covid-19, muitas empresas viram seu faturamento cair drasticamente neste período e, embora não fosse possível prever a gravidade da situação, uma coisa é certa, ter bons controles financeiros em sua empresa com certeza fará com que você tome as melhores decisões!

De fato, a economia sofreu um grande golpe em 2020 com a pandemia e o fechamento de diversos setores empresariais. Para se ter uma ideia, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (06), que reúne as mais importantes informações referentes a expectativas em relação à nossa economia prevê para este uma recessão de 6,50%.

Ninguém poderia prever a situação atual pela qual passamos e muitas empresas realmente não conseguiriam sobreviver devido a gravidade da situação, porém é inegável o fato de que empresas com uma gestão eficiente, que buscaram inovar e que possuíam controles financeiros consistentes, tiveram melhores chances de se adequar à nova realidade.

São diversas as ferramentas que auxiliam o empresário na área financeira, sendo que elas variam de acordo com o porte da empresa e seu nível de maturidade. Porém, quando se fala em tomar decisões quanto ao futuro do negócio, três delas, embora possam ser consideradas simples, são essenciais:

Fluxo de Caixa

É por meio do fluxo de caixa que serão demonstradas todas as entradas e as saídas de dinheiro na empresa em um determinado período. Portanto, essa ferramenta permite que você tenha uma melhor visão da empresa com relação a sua saúde financeira.

Por meio da análise e interpretação do fluxo de caixa é possível que seja estabelecida a estratégia adequada ao seu negócio e que sejam implementadas as decisões necessárias para que a saúde financeira da sua empresa prevaleça.
Basicamente o Fluxo de Caixa é composto pelo:

Saldo inicial: dinheiro disponível na empresa no início do período;

(+) Entradas: total recebido em caixa ou bancos dos clientes pela venda das mercadorias ou prestação de serviço (podendo ser à vista ou a prazo);

(-) Saídas: são tudo aquilo que se usa para pagar, por exemplo, as contas de energia elétrica, salários, aluguéis, etc;
Saldo operacional: a diferença do que foi pago e o que foi recebido;
Saldo final: saldo inicial + saldo operacional.

DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício)

O Demonstrativo de Resultado Exercício (DRE) pode ser considerado uma das mais importantes ferramentas de qualquer empresa, seja ela que tamanho for, e tem como objetivo principal compilar as informações financeiras do negócio com o intuito de fornecer o resultado líquido do exercício, ou seja, o real lucro ou prejuízo resultante da operação.

A ideia do DRE, portanto, é responder a algumas perguntas comuns do dia-a-dia do empresário como por exemplo, quanto a empresa ganhou ou gastou após um dia inteiro de trabalho. Após definir todas as receitas, custos e despesas da empresa, obtém-se o resultado líquido.

Basicamente, o DRE é formado pela seguinte estrutura:

Receita de Vendas

( – ) Custos
( = ) Lucro Bruto
( – ) Despesas Operacionais
( = ) Lucro Operacional
( +-) Resultado não Operacional
( = ) Lucro Antes de Impostos sobre a Renda
( – ) Impostos
( = ) Resultado Líquido ou Lucro ou Prejuízo Líquido

Orçamento Empresarial

O orçamento empresarial é o ato de planejar e estimar as receitas, despesas e investimentos que a sua empresa terá futuramente, sendo uma ótima ferramenta de planejamento e controle operacional da empresa.
Fornece não só uma visão clara de onde o negócio deve chegar, como também é um ótimo parâmetro para o empresário na hora de tomar decisões diante de situações inesperadas, uma vez que, sendo este planejamento bem elaborado, levará em consideração a possibilidade de situações criticas para a empresa e as maneiras pelas quais a empresa deverá atravessar este período.

Lembre-se sempre, planejamento é tudo!

Empresas que controlam seu financeiro por meio de ferramentas como essas, possuirão informações que refletem a real situação da empresa sendo possível que você decida o seu futuro com uma maior clareza.

Muitos são os riscos do mercado e podemos ver isso muito bem no atual momento. Empresas bem organizadas sabem muito bem as vantagens que um bom planejamento pode trazer na busca de seus objetivos, sendo a área de finanças uma das que merecem maior atenção.Inicialmente, deve ser ter em mente que um bom controle e planejamento financeiro tem, como um de seus passos iniciais, o desdobramento dos objetivos de longo prazo, para então ser possível estabelecer os de curto prazo.

Deverão ser realizadas diversas projeções, considerando o que se espera que aconteça no setor de atuação da empresa, bem como no mercado em geral, levando em consideração aspectos econômicos, regionais e sociais.

Também devem ser utilizados como base, dados históricos e fatos ocorridos no passado, permitindo que haja dessa maneira o mínimo de previsibilidade quanto ao caminho que se vê pela frente.

Considere diferentes cenários

Ao planejar o crescimento da empresa, o empreendedor deve também considerar um cenário onde as coisas não saiam as mil maravilhas, possibilitando dessa forma com que a condução do negócio seja feita de maneira mais segura.

Projetar cenários nada mais é do que analisar os ambientes interno e externo da empresa identificando eventos futuros que são passíveis de ocorrer, o que possibilitará que a empresa possua uma visão mais clara do cenário atual e lhe permitirá tomar decisões de maneira fundamentada e com menor chance de erros.

Não se trata de prever o futuro, mas de identificar fatores que podem vir a se tornar reais e médio ou longo prazo, tornando possível dessa forma que o empresário possa se preparar para essas situações criando planos de ações para os possíveis cenários.

Podem ser projetados cenários para todas as áreas da empresa, porém quando se fala na área financeira, destacam-se as seguintes projeções de cenários:

1) Cenários Financeiros: simulações de alterações nas variáveis que compõem o fluxo de caixa, impactando nas disponibilidades financeiras da empresa;

2) Cenários Econômicos: simulações de alterações nas variáveis que impactam os resultados econômicos da empresa, ou seja, em seu lucro líquido (DRE);

3) Cenários Orçamentários: simulações considerando diversas alternativas para o uso dos recursos financeiros da empresa (Orçamento Empresarial).

4) Cenários Operacionais: simulações considerando diversas mudanças no uso da capacidade produtiva da empresa;

Comece a projeção considerando três simulações diferentes, sendo elas:

Cenário Otimista: é o cenário onde há um ambiente extremamente favorável para a empresa. Ou seja, nesta hipótese, as metas de faturamento da empresa serão todas alcançadas, a empresa terá o menor custo de produção, suas despesas operacionais estarão abaixo dos limites que foram estabelecidos entre outros fatores que demonstrem a plana saúde financeira da empresa.

Cenário Pessimista: é o cenário onde o contrário do que foi exposto acima acontece, ou seja, onde há a previsão de que a Receita, Custos, Despesas e Investimentos são as piores possíveis.

Cenário Realista: nada mais é do que um cenário mais pé no chão, onde se avalia as reais possibilidades do negócio. Esse cenário não deve ser confundido com um meio terno entre os dois anteriores, sendo necessário que cada um dos cenários seja pensado de maneira crítica proporcionando ao empreendedor a melhor decisão possível.

Resumindo…

Empresa foi feita para crescer e, realmente, esse crescimento só será possível se houver planejamento quanto ao seu futuro. É muito importante que essas projeções sejam realizadas, pois farão com que suas decisões sejam tomadas de maneira muito mais consciente.

Você deve estar se perguntando, como iríamos prever a situação que nos encontramos agora? Um bom planejamento deve também considerar não só uma economia estável, mas também um cenário adverso como este que vivemos.

Realmente era quase impossível imaginar que estaríamos vivendo toda essa situação atual, mas a pergunta que deve ser feita é, será que as empresas que planejam melhor suas ações em todos os aspectos e, principalmente, na área financeira, estão sofrendo menos neste período?

A resposta é, provavelmente sim. Que possamos acima de tudo tirar uma lição desse período. Empresas organizadas e que dão seus passos de forma planejada com certeza possuem uma maior chance de sobreviver no mercado frente as adversidades.

Renan Luquini é economista, especialista em economia e finanças pela UENP e mestre em economia regional pela UEL. Professor da pós-graduação em Economia Empresarial da UEL, Tutor em Economia da Kroton Educacional. Além disso, é consultor na área de economia e finanças e colunista de economia do portal F5 Dinheiro.

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